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terça-feira, 22 de outubro de 2013

Mars Attacks!, da Topps



Mars Attacks! (1996), deTim Burton, é uma comédia escrachada, com interpretações exageradas, diálogos nonsense e gags físicas. Nada poderia ser mais distante do teor a permear os violentos trading cards  que inspiraram o filme, lançados em 1962 e retomados em 1994. Em sua primeira encarnação desenhados por Wallace Woods e Norman Saunders, os cards não possuíam um humor que se assumia como tal. Pelo contrário: com um espírito genuinamente pulp, a narrativa sequencial parece se levar a sério, por mais exagerado, absurdo ou risível que seja seu desenrolar – isso se dá no plano da recepção, não da confecção; pouco importa, portanto, se essa era a intenção dos autores.
O tom sensacionalista confere um ar de grandiosidade e, ao mesmo tempo, dá uma piscadela: não há um desarranjo entre o narrado e sua forma? Ao leitor cabe o sense of wonder, o horror ou a risada? Ou os três? É como se o leitor não soubesse que efeito o texto (a imagem e a legenda de cada card) espera dele. Trata-se do espírito pulp ainda hoje intacto em narrativas das mais distintas, em gêneros como terror e super-heróis.



Indecisão ou ambivalência quanto aos efeitos que uma obra pode provocar são valores mais produtivos que a certeza – ou, neste exemplo, mais produtivos que o escracho. O problema não é a pouca fidelidade de Burton ao material original (ele é o autor de seu filme e pode fazer com ele o que acha que deve), mas sua opção por um registro menos amplo e, assim, aquém. A opção pode ser compreendida de acordo com as questões de status artístico: não cabe a um diretor consagrado deslizar para o pulp; para remexer esse tipo de material, seria preciso assumir explicitamente que nada está sendo levado a sério.


Abaixo, todos os cards de Mars Attacks! da Topps, em sua primeira encarnação (clique no botão direito do mouse e na opção "abrir imagem em nova guia" para ver maior):